Postagens mais visitadas

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Castelã da Tristeza ( Florbela Espanca )


castela2.jpgAltiva e couraçada de desdém
Vivo sozinha em meu castelo, a Dor...
Debruço-me às ameias ao sol-pôr
E ponho-me a cismar não sei em quem!

Castelã da Tristeza vês alguém?!...
- E o meu olhar é interrogador...
E rio e choro! É sempre o mesmo horror
E nunca, nunca vi passar ninguém!

- Castelã da Tristeza porque choras,
Lendo toda de branco um livro d'horas
À sombra rendilhada dos vitrais?...

Castelã da Tristeza, é bem verdade,
Que a tragédia infinita é a Saudade!
Que a tragédia infinita é
Nunca mais!!!

A minha prisão vai além de uma simples masmorra, uma vez que lá é o lugar exato onde fadas zangadas permanecem. Enclausuradas, amordaçadas, descriminadas, a espera da morte . A ordem chega e a fogueira também. Queimadas em praças públicas. Meu destino?Talvez - Aceito e não fujo dele.

A morte não é a pior clausura que tenho conhecimento e dela não tenho medo. Estar à mercê de mim mesma, envolta em uma grande neblina que me impede de viver e de que pessoas se aproximem é muito pior. É estar só, completamente amortecida para a vida.

Em momentos assim, a tristeza toma conta de mim , mas a minha imaginação aflora em meu corpo e me faz sonhar. Ainda me permito sonhar ,mas como não poderia deixar de ser meu pensamento não vem manso como rio domado. Ele vem de enxurrada como rio represado que se solta e sai levando tudo, sem estribeiras, sem limites, corre descontrolado por margens e barrancos superando todos os obstáculos que possam surgir até se espalhar macio sobre amplos campos, entorpecido como sobre lençóis depois do amor.

Hoje estou enluarada! A lua toma conta da minha torre e faz com que minha prisão me pareça suave. Ela vem acompanhada de uma leve brisa que provoca danças de panos de cortinas.

E eu danço entre eles, altiva, linda, leve e feliz. A luz da lua é branca não, é azulada. Não sei como definir a cor da luz da lua. É cor de lua, é cor da minha alma.

Enquanto danço me entorpeço e me liberto. Encontro meu senhor, meu mestre, meu Rei, me liberto ainda sem saber o que fazer desta liberdade, preciso dele para me ensinar desde o dia do meu nascimento.

Contarei-te dos meus sonhos, do meu medo da liberdade que virá eu sei. Não sei se terei meu mestre comigo. Sinto a necessidade de ainda que livre me amarre a ele.

cavaleiro.jpgNos meus sonhos ele me pega pelas mãos e me leva a lugares que só conheço das leituras insones. A última vez ele me fez deitar em verdes pastos. Eu fada entre brumas e ele me deu asas. Na verdade não caminhávamos, pairávamos sobre a relva orvalhada e a cor da lua dominava tudo, os cheiros que só as amadas sentem ele os deu pra mim. Bailamos inebriados sob o olhar de cervos, unicórnios, ninfas e amantes. Eu ingênua aprendiz nesse bailar, ele sussurrando aos meus ouvidos - 1,2, esquerda, 1, 2, direita - como quem diz palavras ousadas libertando meus instintos de mulher que deseja ser amada.

-Antes preciso te falar. Meu senhor é um Bruxo, me encontrou encastelada e não tendo como me libertar pelo forte feitiço em que me encontro, invade meus sonhos e me ensina a me libertar por meus próprios meios. Ele me quer livre da tristeza em que me encontro para que eu possa me entregar a ele por completo e sem medida alguma. Desprovida de pudor.-

Na dança giramos como num carrossel - a floresta em volta de nós - cores, luzes cheiros, sons, imagens- cada vez mais rápida, me embriagando até um quase torpor. Sinto-me carregada em seus braços. Meu Bruxo se transformara num Cavaleiro Negro. Cabeça em seu peito, seu cheiro de macho misturado a olores exóticos me fazem apertar seus braços fortemente, minhas unhas aguçadas prontas a cravarem marcas em seu corpo , músculos se contraindo e expandindo em ritmos cadenciados e fortes. Busco beber desse homem procurando sua boca. Sinto sua armadura me machucar de forma viril, sua espada me tocando. Quero morrer mil vezes ao corte dessa lâmina, e renascer a cada golpe do meu guerreiro. Ele toma conta do meu ser.

Levada a uma caverna onde uma cama forrada de peles macias se torna meu leito, Sinto frio ou estremeço de ansiedade? Ele se ajoelha ao meu lado, barba áspera a roçar meus seios sobre o fino tecido de que são feitas as vestes de fada. A esse toque quase desfaleço.

Deitada estou , olhos fechados sentindo suas mãos que me acariciam como a um alaúde me fazendo emitir sons de prazer. A cor da lua também está presente e percebo mesmo de olhos cerrados a sua intensa luminosidade. Lua cheia, lua mansa, lua da cor que eu imagino o amor.

Ele se levanta, abro os olhos e vejo o homem, meu cavaleiro negro e seu cetro ereto, eu ergo minhas mãos e o puxo para mim sentindo o calor macio e o peso do seu corpo. Eu agora o guio, até sentir a força da vida que me penetra.

Homem e Mulher, duas forças da natureza que se movem vigorosamente. Ouço meus gritos ressoando aos ventos, despertando as criaturas e os deuses, silenciando o tempo.

Acordo assustada.Olho para os lados como se não estivesse acreditando no meu destino. Lentamente,retorno à vida e à minha realidade. A cor da lua ainda domina a torre. Volto agora a dormir o sono dos satisfeitos, certa de que dia chegará, em que liberta, saberei encontrar o caminho que me levará ao meu cavaleiro negro.


terça-feira, 20 de abril de 2010

Miscelânea de Pensamentos


Alphonse Mucha ( Poetry)



Lendo aprendi muita coisa. Escrevendo consigo ,ou pelo menos tento, expressar meus sentimentos e todos os momentos que me são caros.

Falar sobre tristezas parece-me muito fácil. Talvez o som dos lamentos e das dores chegue mais rapidamente aos meus ouvidos às risadas e sorrisos da felicidade. Não sei explicar o porquê. Sei apenas que a inspiração fica mais presente em mim quando relembro meus desassossegos .

É quando preciso parar.
É quando preciso estar só comigo mesma.
É quando preciso ordenar meus pensamentos.E pensar,pensar,pensar!Muito.

Onde quero chegar? quero chegar à minha própria verdade. Quero saber quem eu sou( ainda quero).
Busco incessantemente o meu eu e percebo que vou além.Devaneios tomam conta do meu ser. Como conhecer os mistérios que a vida nos reserva, sem ultrapassar a linha imaginária que está presente no limite da razão? Penso que nunca.Mas pelo menos tento.

Abro a porta lentamente e tento enxergar o mundo que eu imaginei. São tantos sonhos. Alguns plenamente realizados, outros frustrados ou ainda inacabados. Sou perseverante e creio na vida e na realização de ideais.
São sonhos de paz e de um mundo melhor que ainda teimo em desejar.

Paz me lembra de amor, de conchego e , principalmente de amizade. Me lembra do inverno, de noites calorosas, de uma lareira , um bom vinho e um amor.
O inverno tem o dom de me deixar feliz. O vento sopra suave pela noite. O frio é meu companheiro e me faz bem. Sinto-me viva! Afogueada!
"No céu afogueado do entardecer, os adens riscavam as nuvens tranqüilamente" (José Cardoso Pires, O Delfim, p. 275)

Este é o meu mundo. Meu mundo redondo.Meu mundo azul. Aquele que me impulsiona,mas às vezes ,se achata e me transporta para viagens que não desejo realizar. Cobra de mim aquilo que eu não posso oferecer. Me dá chocalhadas. Me faz ser mais realista. Me toma e me dá. Me faz chorar e me dá mil motivos para sorrir. E gira. Gira tão rápido que sinto dificuldade em acompanhá-lo, mas faço um esforço e juntamente com ele rodopio em torno da vida, em torno das pessoas, em torno de mim mesma.

É meu refúgio. Meu jardim secreto.Todos os sentidos à flor da pele. É o meu reflexo no espelho. É minha alma. É minha vida passada a limpo.
Minhas verdades. Minhas mentiras . Meus erros. Meus abusos.

Tenho tanta coisa a dizer! Nem sempre consigo.
São várias versões de mim mesma que poucos conhecem. Momentos mágicos que gostaria de dividir. Tudo se torna lindo quando se tem a coragem de ousar, de arriscar.

Digo e repito : É meu mundo. Nele eu deliro, e todos estão convidados a participar.Entra quem quiser desde que haja afinidade, desde que seja com intensidade, desde que tenha verdade. Minha única cobrança.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Caminho dos Sonhos

Eu vim numa nuvem,
em todos os sentidos,
por caminhos de sonhos,
pedaços perdidos,
por todos os lados,
de almas que encontram
prazer nas palavras.

Prazer de poeta
Cora Coralina
Florbela
e bocados dela,
a Ana.

Que gosta do Elvis
e do Rei do Baião
que abre o espaço
e o coração

A Ana que me fez
uma visita,
singela,
bonita...

Por isso cá vim
e que assim se repita!

A autoria do poema é de Val Neto. Eu o descobri,entre minhas coisas e resolvi homenageá-lo. O Val tinha um site muito legal e era uma pessoa incrível, batalhadora mas, que infelizmente, não teve sorte contra uma doença, com a qual lutava desesperadamente.Ela o venceu.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Saudades






Saudades. Tristeza. Amargura. Reflexão. Exacerbação dos juízos de valores ou sua inversão. Paranóia. Sintonia. Confusão. Camaradagem. Sofrimento. Lágrima e riso. Química. Equilíbrio ácido e básico. Efeito chave e fechadura : complementação. Cumplicidade e silêncio,que atordoa aos incautos, mas que inebria a alma. Obnubilação. Coma. Choro e abraço. Carinho e olhares. Trocas. Silêncio e paquera. Obscuridade do destino.

Mansidão. Cordas e álcool. Free e freedom. Coincidências e Jesuscidências. Amizade oculta para a vida eterna. Insustentável desejo de toque. Insaciabilidade. Ou quem sabe, o contrário com qualidade.

Iso 900000000000000000000000?

Irracionalidade. Personalidade. Tesão. O que somos ?

-Silêncio... Pausa, paz, e, naturalmente, amor.Respeito e maleabilidade.

Irritabilidade no monólogo.

Até logo? Nunca. Sempre estarei aqui. Até que Deus queira.

Mas a saudade me consome e quando uma vasilha com água ferve, as bolhas nunca são iguais mas se misturam e pipocam. O mesmo eu sinto. Comi uma Pizza Portuguesa pensando em você agora. E comi pizza de banana com canela e pensei em você. E ouvi a música A Whiter Shade of Pale , de Johnny Rivers,( esta música em termos de estética, atropela qualquer outra ) e novamente pensei em você.Ouça e chore como o faço agora porque descobri que estou envolvida até a alma com você. E penso em você 24h por segundo.

Tatuagem cravada no peito. Dor. Desconforto. Ansiedade.

- De quem é a culpa ? Deus e o diabo na terra do Sol. Sua ou minha,de mais ninguém.Talvez estejamos nos projetando ao passado, talvez pro futuro, talvez pra eternidade.E é por aí que o estrago de sua essência causa a revolução do meu pensar e pesar. Se existo e penso, algo está errado, pois nada além de fixar-me em ti tenho feito : isto não é pensar, mas vidrar e pesar. E Eu sei apenas que o amor é uma razão irracional de uma louco apaixonado que ama. Ainda não é o caso, mas pode acabar sendo, no que terei de aprender a administrar para resolver sem traumas. Mas, antes de tudo, deixo uma mensagem de Mário Quintana :

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
Enfim,
tem de ser bem devagarinho,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..."


O que está acima , só quis mostrar que a simplicidade do Quintana, com a sua fina ironia e inteligência, fez-me lembrar desta poesia. E quanto ao impossível ele disse :

"Se as coisas são inatingíveis, ora! Não é motivo para não querê-las. Que tristes seriam os caminhos se não fora a presença distante das estrelas."

Vivamos a vida com a pureza e respeito que devemos um ao outro, pois tu também, de fininho, atropelou-me.

Simplesmente!